De onde vêm as estrelas Be?

Data: 
17/10/2018 - 14:00 - 15:00

De onde vêm as estrelas Be?

 

Alex Carciofi

IAG/USP

 

Estrelas Be são as as que giram mais rapidamente entre as estrelas compostas por matéria não-degenerada. A alta rotação impacta a estrela de várias formas: sua geometria, composição química e até o tempo de vida na sequência principal podem ser profundamente alterados. Outra consequência da alta rotação são os discos circunstelares gasosos que são formados por material ejetado pela estrela, provavelmente próximo ao equador, e que se difunde ao seu redor através de mecanismos viscosos. 

Uma questão importante, e ainda não plenamente resolvida, é compreender como as estrelas Be atingem tão altas taxas de rotação. Três cenários propostos envolvem 1) interações gravitacionais em um sistema binário, em que a primária doa massa e momento angular para a secundária, que eventualmente se tornará a estrela Be, 2) transporte de momento angular do interior ao exterior da estrela, como resultado da contração do núcleo ao longo da sequência principal, e 3) A alta rotação vem do processo de formação estelar. É provável que os três cenários atuem, mas o peso relativo de cada um para o fenômeno Be ainda não foi entendido.

Neste seminário discutirei brevemente os três cenários, e os colocarei em perspectiva com dois resultados recentes de nosso grupo que apontam para a) uma alta incidência de binárias em estrelas Be, o que é uma evidência circunstancial em suporte ao cenário 1, e b) para uma baixa eficiência de transporte de momento angular no interior estelar, com implicações desfavoráveis ao cenário 2.