Navegação principal

×

Mestrado: “Distribuição do tamanho de gotas de chuva no sítio experimental ATTO-Campina”

Data

Horário de início

14:30

Local

Sala de Aula P 209, Prédio Principal - IAG/USP

Defesa de Dissertação de Mestrado
Estudante: Eliana Nascimento da Costa
Programa: Meteorologia
Título: "Distribuição do tamanho de gotas de chuva no sítio experimental ATTO-Campina"

Orientador: Profa. Dra. Rachel Ifanger Albrecht

 

Comissão Julgadora:

  1. Profa. Dra. Rachel Ifanger Albrecht - Presidente e Orientadora - IAG/USP
  2. Dra. Izabelly Carvalho da Costa - CPTEC/INPE (por videoconferência)
  3. Dr. André Cezar Pugliesi da Silva - Pós-doc - IAG/USP

 

Membros suplentes:

  1. Prof. Dr. Micael Amore Cecchini - IAG/USP
  2. Dr. Thiago Souza Biscaro - CPTEC/INPE
  3. Prof. Dr. Rafael Castelo Guedes Martins - UFERSA

 

Resumo: 

Este trabalho apresenta a caracterização da distribuição do tamanho de gotas (DSD) no sítio do Amazon Tall Tower Observatory (ATTO-Campina), Amazônia central, com base em medições do disdrômetro Joss-Waldvogel (RD-80) entre janeiro de 2020 e agosto de 2025. Foram analisadas 122.167 amostras de 1 min com R ≥ 0,1 mm h−1, divididas entre as estações chuvosa (79% das amostras), de transição (6%) e seca (15%). A DSD foi ajustada por distribuição gama normalizada e a separação convectiva/estratiforme (C/S) seguiu um limiar de log10(Nw) = 3,85 proposto na literatura para regiões tropicais. A distribuição de log10(Nw) é bimodal em todas as estações, com modas próximas a 3,4 e 4,0 na chuvosa e a 1,95 e 3,8 na seca, indicando a coexistência de precipitação convectiva (warm rain) e estratiforme. No total, 34,4% das amostras são classificadas como convectivas e respondem por 55,2% da chuva acumulada; na estação chuvosa essa fração sobe para 61%, enquanto na seca cai para 33%. O resultado que melhor caracteriza a microfísica do ATTO-Campina no contexto tropical é a assinatura do regime convectivo: o log10(Nw) convectivo (4,17) coincide com valores de referência para o Índico equatorial, porém o Dm é ligeiramente menor (1,04 mm vs. 1,14 mm) e o R médio é consideravelmente mais alto (7,37 vs. 5,34 mm h−1). Essa combinação (mesma Nw, gotas menores, chuva mais intensa) é consistente com a hipótese de maior eficiência do warm rain continental amazônico em relação ao warm pool oceânico. Nas relações Z = A RB, o pré-fator convectivo (A ≈ 110 ) é cerca de três vezes menor que o estratiforme (A ≈ 330 ), indicando que uma relação Z–R única tende a subestimar a chuva convectiva e superestimar a estratiforme. Dois modos de funções ortogonais empíricas (EOFs) explicam mais de 94% da variância total, indicando que a DSD pode ser descrita com poucos parâmetros. A série de mais de cinco anos do ATTO-Campina representa uma das bases de dados mais longas de DSD por disdrômetro na Amazônia central e oferece parâmetros regionais que podem contribuir para a estimativa de precipitação por radar e para esquemas microfísicos de modelos atmosféricos.

Palavras-chave: distribuição do tamanho de gotas, disdrômetro, Amazônia central, ATTO, relação Z-R, microfísica de precipitação.